quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

IRB reúne ampla seleção de obras de Jean-Baptiste Debret sobre a Missão Artística Francesa no Brasil

Mercado de escravos de Valongo (Rio de Janeiro) - óleo sobre
 tela | Debret - 1822
A mostra inédita no Norte Nordeste fica em cartaz na Pinacoteca do museu de 3 de fevereiro a 2 de abril
O Instituto Ricardo Brennand apresenta a exposição “Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil - 200 Anos”, marcando os dois séculos chegada do artista europeu ao Brasil. Convidado por Dom João VI a retratar as cenas monárquicas e estruturar a Escola de Belas Artes, o artista se dedicou também a realizar um impressionante número de mais de 700 desenhos, em grande parte aquarelas, reproduzindo o dia a dia da população da cidade sede do então Reino unido de Portugal, Brasil e Algarves.
No Recife, esta mostra, que já passou pelo Museu da Chácara do Céu, em Santa Tereza (RJ), e por Paris, na Maison de l’Amérique Latine, terá um recorte especial com 79 aquarelas e um exemplar do livro Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, pertencentes aos  Museus Castro Maya; integrando ainda a pintura a óleo Mercado de Escravos de Valongo (Rio de Janeiro), do acervo permanente do colecionador pernambucano Ricardo Brennand.
As obras retratam as várias camadas da população brasileira da época, passando por índios, escravos africanos, caboclos, mestiços, e europeus, ricos e pobres. “Mercado de Escravos do Valongo é um quadro incomum na obra de Debret, a qual, pelo que sabemos, contém poucas obras pintadas a óleo que não foram feitas para os soberanos ou para a Corte. Durante muito tempo, considerou-se que havia sido pintada por Nicolas-Antoine Taunay, e apenas recentemente sua autoria foi, com razão, atribuída a Debret pelo comitê de especialistas reunidos na preparação da obra de referência Debret e o Brasil: obra completa, 1816–1831”, explica Jacques Leenhardt, filósofo e sociólogo francês, curador da exposição.

O principal objetivo da “Missão Artística Francesa” que chegou ao Brasil, no Rio de Janeiro, em março de 1816, era fundar a Escola de Belas Artes. Além disso, os pintores estrangeiros iriam divulgar através de suas obras a imagem modernizada da cidade que acabava de se tornar sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
No entanto, em 1831, voltando à França, Jean-Baptiste Debret levou o registro aquarelado de tudo o que viu nos anos vividos no Brasil e que nunca havia mostrado durante a sua estadia. Publicou então uma das mais importantes contribuições à história: o livro Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839).  Na obra, o autor documentou, em comentários detalhados, aspectos das diferentes populações que constituíam a sociedade brasileira no início do século XIX, além de uma história da transformação da colônia portuguesa no império brasileiro.
Jacques Leenhardt, o curador - Filósofo e sociólogo, é Diretor de Estudos na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (Paris, França) e Presidente de Honra da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Entre suas principais publicações estão “Nos Jardins de Burle Marx”, “Reinventar o Brasil:Gilberto Freyre entre história e ficção”, “A construção francesa do Brasil”, e a reedição moderna do livro “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, de Debret, que acaba de ser lançado.
Jean-Baptiste Debret – Nascido em Paris em 1768 e oriundo de uma família que já se interessava pela arte, Debret trabalhou junto ao grande pintor Jacques-Louis David ao serviço da glória de Napoleão Bonaparte.
Já em 1816, Debret veio para o Brasil junto a um grupo de artistas franceses para fundar uma Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro. Mas apenas em 1827 foi inaugurada a Imperial Academia de Belas Artes. Já em 1816, para o Regente, Debret começa a trabalhar para a Corte: “Coroação de D. Pedro I”, “O Desembarque da Imperatriz Leopoldina”, cenários do Teatro Imperial e “Alegoria do segundo casamento de D. Pedro I” são obras desse período.
A obra que realizou no Brasil foi imensa: cenas brasileiras, pinturas para o pano de boca do Teatro São João, trabalhos de ornamentação para a cidade do Rio de Janeiro para festas públicas e oficiais, assim como solenidades da aclamação de D. João VI. Debret, certamente, é o artista da Missão Francesa mais conhecido pelos brasileiros, por seus trabalhos que documentam a vida no Brasil durante – reinado e primeiro império – e muito reproduzidos nos livros escolares.
Serviço: Exposição Debret e a Missão Artística Francesa no Brasil - 200 Anos
Instituto Ricardo Brennand - Rua Mário Campelo, 700 – Alameda Antônio Brennand – Várzea
Visitação: de 3 de fevereiro a 02 de abril de 2017, de terça a domingo, de 13h às 17h
Ingresso: R$ 25,00 (inteira) e R$ 12,00 (meia - Pessoas com deficiência, estudantes, professores e idosos acima de 60 anos mediante documentação comprobatória).


Um comentário:

  1. Boa noite, sabem informar se este preço refere-se à entrada no Instituto Ricardo Brennand ou à exposição?

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